RETOMADA TUPINAMBÁ AMAZONAS

Povo da nação Tupinambá existe e resiste no coração da Amazônia.

Por Angelo Madson Tupinambá – Instituto Idade Mídia .Org

Povo Tupinambá no Amazônas

Na cidade de Manaus, no estado do Amazonas, a afirmação da identidade ética e a ancestralidade se faz na luta de resistência social, no cotidiano dos indígenas vivendo em contexto urbano.

Segundo dados do Senso 2010 (IBGE), existem cerca de 5mil indígenas autodeclarados na cidade, divididos em 92 etnias, falando cerca de 36 línguas. No entanto as organizações, como a Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (COPIME), que mapeiam as etnias vivendo no contexto urbano, apontam um quantitativo superior há 20 mil indígenas vivendo na região.

No contexto urbano de resistência indígena em Manaus, encontramos o povo da nação Tupinambá manauara, organizados através da Associação Filhos de Tupã’peraba Sununga, dentro dos limites da Aldeia Tupinambá São João Batista. Com apoio de seus parentes no Murukutu Tupinambá (Belém do Pará) e da aliança ancestral com Upaon Açu (São Luiz, no Maranhão), os Tupi de Manaus se organizam e demarcam o campo da insurgência amazônida!

“Temos o direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza e a ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza” já diria o sociólogo Boaventura de Sousa Santos. Com a força e determinação dos guerreiros e guerreias ancestrais, o povo do Amazonas se reorganiza sob a liderança política e espiritual do Pajé Marquinhos Tupinambá e em unidade de ação com parentes na capital do Pará e Maranhão.

Entre as atividades mais recentes, destacamos a participação Tupinambá no I Festival Afro Ameríndio de Manaus, realizado no início de novembro, pelo Coletivo Ponta de Lança, no bairro Zumbi dos Palmares, zona leste. O vídeo com a fala do Pajé Marquinhos realizando o ritual do Toré manifesta a aliança afromazônica de resistência social na Amazônia ocupada pela colonização e seus efeitos.

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No campo da educação, a Associação Filhos de Tupã’peraba Sununga – Aldeia Tupinambá São João Batista realiza ritos e práticas culturais tradicionais organizados na Escola de Educação Indígena Estrela Dalva. Para avançar e ir além no resgate da herança ancestral, o jovem Julian Machado Tupinambá, formado em história pela UEAM e um dos fundadores da Associação Cultural dos Povos da Amazônia, tornou-se o professor de Língua Geral da Amazônia – LGA Nheengatu junto aos parentes. No entanto, com objetivo de resgatar o uso do Tupi Antigo, o mestre ancião Adalton Pimyatã Tupinambá é quem ministra as aulas do idioma Tupinambá ao povo.  

O Estado e o Poder Público devem reconhecer a valorizar o movimento de retomada ancestral dos povos, para o desenvolvimento e implementação de políticas públicas que atendam os indígenas que vivem no contexto urbano das cidades da Amazônia. Como a inauguração do novo Hospital Materno Infantil de Manaus que contou com a participação do povo Tupinambá.

O Instituto da Mulher Dona Lindu, realizou a inauguração do segundo Centro de Parto Normal Intra-Hospitalar, no último dia 3 de novembro, com a presença das mulheres e crianças indígenas do povo Tupinambá. A estrutura conta com quatro suítes preparadas para as mães escolherem a posição em que desejam ter os seus bebês, incluindo a experiência de parto na água. O espaço e a equipe estão preparados para receber mulheres indígenas com parto humanizado segundo as tradições e a vontade da mulher.

O CPNI também conta com sala com temática indígena equipada com redes. O atendimento no CPNI engloba o protocolo multicultural, para mulheres estrangeiras, indígenas, brasileiras e surdas. O acolhimento inclui o suporte de tradução em língua espanhola, inglesa, Tikuna e Língua Brasileira de Sinais (Libras). A suíte “Nascer do Sol” será disponibilizadas para o “Juramento do Pai” durante o corte do Cordão Umbilical, para a língua Tikuna, onde os pais irão jurar responsabilidade pela criança.

Na parede do hospital, está pindata uma placa na lígua Tupi, oferecida pela Associação Filhos de Tupã’peraba Sununga ao Centro de Parto, que foi traduzida com orientação de Adalton Pimyatã Tupinambá.

Nada é de presente, tudo é luta, como foi no passado e no futuro será! E assim, seguiremos em unidade de ação Manaus – Belém – São Luiz. Essa é parte da luta dos indígenas vivendo no contexto urbano de Manaus. Exigimos Respeito e dignidade! Nossa luta de resistência dura 521 anos e estamos apenas começando.



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